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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Me dá só uma Ideia

O trabalho do arquiteto é ter ideias. Esse é seu ganha-pão. Por isso, não é de bom tom pedir à ele para lhe dar “apenas” umas idéias. Mas, antes que você ache antipática esta observação, vou explicar melhor.

Cidades confusas, edificações desorganizadas, poluição visual, residências mal planejadas, pessoas vivendo desconfortavelmente, gastos desnecessários com reparos, alterações e desperdícios, são exemplos que podem ser evitados se estiverem sob a supervisão de profissionais habilitados e capacitados para tal.

Por isso, antes de se avaliar o custo de contratar um arquiteto cabe sempre avaliar o custo que se terá por não contratar um arquiteto.

Pode ser que os ganhos não são palpáveis (materiais, físicos), mas é comprovado que contratar o serviço de um arquiteto é mais econômico do que tentar construir ou decorar por conta própria (considerando os resultados obtidos), uma vez que este profissional está capacitado para indicar as melhores soluções, os materiais mais adequados e os fornecedores mais indicados para cada necessidade.

Mas, para poder oferecer estes benefícios todos, o arquiteto gasta muito do seu tempo e do seu dinheiro lendo, adquirindo livros, revistas e softwares, pesquisando, participando de eventos de aperfeiçoamento, acompanhando tendências, novidades, inovações, e exercitando. Toda essa bagagem, vai resultar nas “idéias” e possibilidades que ele vai utilizar para satisfazer suas necessidades. Os projetos, croquis, memoriais descritivos, são só o resultado das idéias concebidas. A essência da função do arquiteto é a idéia. É o mais custoso e difícil de realizar. A papelada que o cliente vê é apenas um dos resultados, não o produto em si.

A princípio, dar uma idéia parece a coisa mais simples que existe. Mas, no caso da arquitetura, mesmo com todo o conhecimento inerente à atividade do arquiteto, ter idéias depende do princípio criativo que não está atrelado à tempo nem à conceitos explícitos. A idéia tem que nascer. Não está pronta em prateleiras, bastando pegá-la. A idéia ótima para um cliente ou situação pode ser péssima para outro. Não existem idéias prontas.

Por isso, tome cuidado para não ofender um arquiteto, quando pensar em fazer questionamentos do tipo:

- Poderia me dar só um palpite?

- Poderia me dar só umas idéias?

- Poderia só fazer uns rabiscos?

- Eu só preciso de umas "orientações", só discutir uns detalhezinhos.

- Eu só preciso de umas dicas de cores.

- Preciso só de um "quebra-galho", um "ajustezinho”

- Tenho pressa, serviço prá ontem.

- Só preciso que você dê uma "olhada" no "projeto".

- Minha mulher viu numa revista e quer fazer igual, "tá fácil", tem bastantes "fotos":

- Minha cunhada deu uns palpites que a gente acha legal mudar.

Veja que a palavra “só” não é muito apreciada dos arquitetos.

Vale lembrar a título ilustrativo, que uma consulta médica de 20 a 30 minutos ( lá no consultório, pois o médico não vem à sua casa ), após muita espera - apesar do luxo da hora marcada - está custando em média R$ 150,00, pagos adiantado, quer você goste ou não. E sem nenhuma garantia de diagnóstico. Ou seja, este valor é pago pela “visitinha” e pela entrevista, sem compromisso, pela opinião inicial.

Para quem achou interessante ou mesmo para quem não entendeu nada, sugiro assistir o vídeo abaixo, que é uma analogia com outras profissões, para mostrar como o arquiteto se sente nas situações acima apresentadas.


domingo, 3 de outubro de 2010

A polêmica Reserva Técnica - RT

Parte do texto abaixo é uma reportagem de Silvana Maria Rosso - nov/2007, colhido no site da Casa Abril, que aqui reproduzo por achá-lo muito elucidativo e cujo tema precisa ser discutido.

http://casa.abril.com.br/arquitetura/livre/edicoes/0247/maodeobra/mt_260217.shtml,

Reserva Técnica, RT ou comissão, teoricamente, funcionaria como um programa de fidelidade para o profissional que especifica materiais e sistemas. O lojista costuma dar ao arquiteto ou engenheiro uma comissão em torno de 5% pela indicação técnica de determinado produto, que varia conforme a empresa. O correto é que o comprador esteja ciente sobre a reserva técnica e que não arque com custos extras por causa dela - se o produto custa R$ 300 deve continuar custando R$ 300. Caso o profissional queira, ele até pode reverter essa comissão em desconto para o cliente. Assim, o valor do prêmio seria subtraído do custo da compra, que neste caso sairia por R$ 285. Há uma tendência entre os profissionais em dividir a RT, repassando 50% ao cliente. No entanto, ele não é obrigado!


Na prática, o que se observa é um quadro totalmente diferente.
"Como a reserva técnica não é regulamentada, ela tem sido usada como um instrumento de corrupção que inflaciona o mercado e interfere diretamente na remuneração do profissional", afirma o arquiteto Dante Della Manna. Para conquistar o cliente a qualquer preço, há profissionais que não seguem os preços do mercado e sobrevivem da reserva técnica. Eles cobram pouco pelos serviços, presenteiam o cliente com o projeto ou não cobram as visitas à obra. Em contrapartida, sem o conhecimento do cliente, recebem a diferença de seus honorários através do comissionamento pela indicação do produto. Ou seja, o fornecedor fatura a compra acima do valor real e repassa a comissão ao profissional. O cliente pensa que economizou com os serviços, mas no fim da obra, quando a verba termina e ele coloca na ponta do lápis os custos, descobre que gastou mais do que o previsto por causa das compras. O IAB, o IE e a Asbea rejeitam esse tipo de relação com o cliente. "Se o profissional for bem pago pelos serviços prestados, ele passa folgadamente por essa mora", argumenta Paulo Lisboa. "Quando os projetos não são cobrados corretamente, acabam gerando soluções irregulares, que transgridem a harmonia entre cliente e profissional", argumenta Gilberto.

Desde que especificada em contrato e acordada com o cliente, não há oposição a essa maneira de remuneração. "Há países, caso dos Estados Unidos, em que nenhuma compra referente à construção pode ser realizada sem a presença de um arquiteto, que é remunerado pela indicação", exemplifica Paulo.


O arquiteto Marcio Moraes defende que, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, a reserva técnica poderia ser legalizada, pois assim haveria transparência no relacionamento entre cliente e profissional e também a responsabilidade legal sobre o material aplicado. Essa remuneração seria relativa ao tempo gasto para pesquisa e compra quando o contrato do projeto inclui administração da obra.

Particularmente, eu acho que quem dá o projeto ao cliente ou cobra valor abaixo do mercado obrigando o cliente a comprar em determinadas lojas já não é mais arquiteto e sim vendedor externo das lojas “disfarçado” de arquiteto. Não acho RT importante na profissão. Não é o objetivo da arquitetura e não deve ser do arquiteto. Quando um fornecedor me oferece parceria, eu deixo bem claro que minha preocupação principal e ao qual eu exijo cumprimento é a qualidade do produto ou serviço que este vai oferecer e, que o valor final ao cliente não deve alterar em função de alguma comissão. A RT não determina minhas escolhas por determinado fornecedor. A qualidade sim. E, nos casos em que recebo RT, geralmente repasso 50% ao cliente na forma de desconto.

Como abordei em post anterior, sugiro ao cliente, ao contratar o arquiteto, procurar conhecê-lo, saber sua forma de atuação, sua relação com os fornecedores e seus honorários. Descarte valores muito abaixo da média de mercado. Não existem milagres. Ninguém trabalha de graça. Se o cliente ficar em dúvida qual o valor correto dos serviços do arquiteto, sugiro consultar o CREA-RS, os sindicatos, ou dar uma passeadinha no Google. Informação não falta. Uma boa relação começa com transparência.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Como ajudar o arquiteto a realizar seu sonho

Algumas formas de como se dá a relação entre clientes e arquitetos, e com outros profissionais de serviço também, podem determinar o resultado da empreitada. Resolvi abordar aqui alguns destes aspectos que acho relevantes e que volta e meia me deparo no exercício da profissão.


Programa de necessidades.

O arquiteto desenvolve cada projeto para um cliente específico. Ele é único para aquele cliente. Além de saber os gostos, hábitos, preferências, valores, e uma série de características subjetivas de seu cliente, ele também precisa das necessidades imediatas, objetivas e palpáveis para desenvolver o projeto. E isto se faz através do Programa de Necessidades, que nada mais é do que colocar no papel (é importante escrever) tudo o que imagina precisar, como por exemplo, quanto de espaço para uma sala, quantas portas para o roupeiro do quarto, quantas cubas para o banheiro, quantos quartos para a casa, vagas de garagem, quarto de visita ou office, e até coisas mais subjetivas como uma iluminação especial na sala, uma cor de destaque em alguma parede, um lugar para as fotos da família, um destaque para um quadro de valor sentimental e mesmo, a necessidade de querer conferir um ar mais clássico, requintado ou despojado ao ambiente. Vai ser com esses dados e com sua experiência que o arquiteto vai trabalhar. Dê-lhe todo o material que você dispuser, e preferencialmente, no início da contratação. Quanto mais informação o arquiteto tiver do cliente mais o projeto ficará personalizado.


Quanto deseja investir.

Eis aqui um tabu do brasileiro. Salvo exceções, ninguém gosta de dizer o quanto ganha e o quanto quer gastar exatamente numa obra. Acredito que seja o medo de que o arquiteto cobre mais conforme a carteira do cliente. Errado! O arquiteto tem uma tabela de honorários que é sempre baseada na metragem ou custo da obra. Tirando alguns excêntricos, todo mundo quer gastar o mínimo possível. O arquiteto sabe disso.

Então é desnecessário e contra-producente ocultar o quanto se quer investir. Seria parecido com ir ao banco aplicar um dinheiro em algum investimento sem dizer o quanto se quer aplicar. Para o arquiteto pouco importa o quanto o cliente pretende gastar na obra, a não ser para nortear as decisões e escolhas de cada solução. Para isso sim é fundamental saber quanto se tem para gastar. Se o recurso é pouco, o resultado pode ser afetado sim, mas o arquiteto vai usar toda a sua criatividade e conhecimento para apresentar o melhor possível dentro do valor disponível. Muitas vezes vai economizar no revestimento do piso da garagem para aplicar numa pastilha da fachada que vai trazer melhor resultado, etc.

Não faça testes com seu arquiteto, deixando ele pensar o melhor, o mais grandioso, e que muitas vezes sai um pouco mais caro, para depois dizer que não cabe no orçamento, obrigando-o a rever todo o projeto. Ele vai se frustrar e você também. Assuma a responsabilidade de dizer o quanto deseja gastar e, conseqüentemente, o quanto deseja ganhar com este projeto. Mas seja realista. Não queira um projeto de um milhão de reais, igual à da revista, querendo investir somente cem mil.

Eu sugiro ao cliente não regular os custos do arquiteto ocultando valores ou querendo fazer parte do serviço dele. Pode sair mais caro e pior. Acho preferível que o cliente compare preços tanto da loja, quanto do profissional, procure antes conhecer o arquiteto, sua forma de atuação, sua relação com os fornecedores e, ponha tudo em contrato, inclusive itens como a RT. Bem esclarecida essa parte e acertado os valores dos honorários, vire a página. É hora de relaxar e aproveitar, participando, argumentando e se envolvendo com o sonho que é SEU.


Participe, pergunte, argumente.

Cada pessoa tem a sua maneira de relacionar-se. Existe clientes que deixam as chaves com o arquiteto, vão viajar 2 meses, liberando o apartamento para o arquiteto fazer o que quiser com sua obra, e na volta curtem maravilhados o trabalho do profissional. Convenhamos que esse tipo de cliente é raro. Não se acha em qualquer lugar. Contudo, o cliente que não participa das decisões, não se envolve, mas que no meio ou fim da obra, diz que não gostou, que ficou em dúvida se ficaria melhor de outra maneira, que pensou que seria diferente, etc, é um banho de água fria no arquiteto e na sua criatividade. Por isso, é importante se envolver no processo da obra para acrescentar e não para dividir. Se o cliente se omitir na hora da criação, perde o direito de reclamar depois.


Deixe o arquiteto trabalhar

Preocupado em economizar com a obra (e com o arquiteto), algumas vezes o cliente toma a atitude de querer fazer algumas coisas por conta própria. Pede por exemplo, para o arquiteto resolver o “grosso” da obra ou algum “pepino” somente, e ele próprio escolhe os móveis ou a cor das paredes. Outro receio é de que o arquiteto ganhe comissão das lojas e fornecedores e que isso seja repassado para os custos. Há uma verdade parcial nisso. Como a Reserva Técnica – RT (comissão) não está regulamentada no Brasil, há profissionais que se aproveitam desta situação. Arquitetos que cobram um valor muito abaixo do mercado pelo projeto mas atrelam as compras à determinadas lojas, podem estar ganhando comissão expressiva destas. (Sobre a RT, vou abordar em um post específico).

Mas relaxe. Felizmente, existe o outro lado. Os arquitetos sérios e honestos que são maioria e dentre os quais me incluo. Para os clientes destes há muitas vantagens na parceria arquiteto-fornecedor. Com o arquiteto apresentando o cliente à loja, este terá um atendimento diferenciado, a loja saberá de antemão os conceitos que norteiam o projeto, a mesma linguagem entre a loja e arquiteto facilita a compreensão da necessidade do cliente, e ainda, o cliente pode ganhar até um desconto, que não teria se este não estivesse acompanhado de seu arquiteto. Geralmente eu peço desconto para meus clientes e também que sejam bem tratados. Como resultado de fazer por conta própria, o cliente pode estar gastando mais e ainda, o resultado pode ficar de gosto duvidoso.

Vale destacar também a situação em que o arquiteto apresenta uma solução que é uma tendência para os próximos anos, uma inovação pesquisada em feiras, por exemplo, e o cliente diz não gostar. Daí, sai ele próprio atrás de alguma ideia, folheia revistas, e vai pedindo a opinião do arquiteto sobre o que ele acha de tal e tal solução e, depois de passar em algumas lojas, mostras e conhecer melhor o mercado, ele chega maravilhado com uma solução, sem se dar conta que essa era justamente a proposta que o arquiteto tinha lhe apresentado lá no início e ele não havia gostado. Conclusão: o cliente teve que percorrer todo o caminho que o arquiteto já havia feito várias vezes, o arquiteto teve que ir conferindo cada “novidade” que o cliente encontrava, ao invés de simplesmente confiar na habilidade do profissional. Nestas horas o arquiteto pensa porquê será que ele foi contratado afinal. Deixe o arquiteto trabalhar, não iniba a sua criatividade.

Resumindo, para um bom resultado de uma obra ou decoração, é fundamental fornecer ao arquiteto todos os dados que o cliente tiver sobre suas necessidades, gostos e valores; dizer claramente o quanto está disposto à investir na obra, e envolver-se no processo, mas deixando o arquiteto exercer toda a sua criatividade. Com um bom profissional e um bom relacionamento, torna-se fácil realizar seu sonho com tranqüilidade e satisfação.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Como trabalha o ARQUITETO

O trabalho do arquiteto muitas vezes não é bem compreendido. Por ser um serviço eminentemente virtual, é difícil ao leigo mensurar o quanto de trabalho e tempo está envolvido nas atividades do arquiteto. Esse desconhecimento pode levar à interpretações errôneas e stress entre as partes. Vou tentar esclarecer rapidamente alguns aspectos que acho importantes serem observados quando se contrata um arquiteto.

Então, o que faz um arquiteto? A formação do arquiteto possibilita uma vasta atuação, cabendo à ele atuar com atividades referentes a edificações, conjuntos arquitetônicos e monumentos, arquitetura paisagística e de interiores; planejamento físico, local, urbano e territorial, design, e serviços afins e correlatos. A formação do arquiteto é muito ampla e reúne não só matérias técnicas, como as mais conceituais. Versa tanto sobre resistência dos materiais, quanto sobre história e arte. O arquiteto é, antes de tudo, um humanista.
Talvez esteja aí a principal diferença entre engenheiros e arquitetos. Enquanto o primeiro está preocupado com o edifício, com as questões técnicas da construção, o segundo está preocupado com o ser humano que ocupará esta construção. Com o indivíduo, com as relações entre o homem e o espaço construído.

É tarefa do arquiteto dedicar-se a criar espaços que serão ocupados por outras pessoas. Para tanto, não pode perder de vista o possível do realizável, devendo sempre buscar soluções criativas e construtivas.

Quando começa um projeto, o arquiteto analisa primeiramente o terreno em que os prédios ou casas serão implantados. Há vizinhos? São altos, baixos, muitos ou poucos? Estão próximos ou distantes? O que há em volta, uma cidade ou uma montanha? Existem belas vistas para alguma direção? De que lado nasce o sol? É um local frio? O terreno é plano ou inclinado? Fica na praia ou no campo?

Às respostas obtidas, o arquiteto soma outras sobre as necessidades do cliente: de quantos quartos ele precisa, quantas pessoas vão habitar aquela futura casa, quanto dinheiro o cliente tem para gastar?

A partir desses questionamentos, o arquiteto monta o que chamamos de programa de necessidades, que vai embasar todo o projeto.

Com um programa em mãos, o arquiteto colocará toda a sua experiência de vida, os seus conhecimentos técnicos e artísticos a serviço do cliente. Buscará projetar o edifício mais eficiente e belo, mais bem inserido no lote, mais eficiente energeticamente e que melhor responda às necessidades e aspirações do cliente, tudo isso pelo melhor custo-benefício. Por isso que um “idéia” de arquiteto, não é apenas uma idéia. Ela é antes o resultado de todo esse conhecimento adquirido.

Na arquitetura de interiores o processo é o mesmo. O projeto arquitetônico é pensado como um todo, desde a disposição das paredes até a melhor disposição de um quadro. Tudo tem que resultar em uma unidade para não parecer que algo foi remendado ou sobreposto evitando assim criar conflitos de linguagem. Dentro do estilo desejado pelo cliente, é visualizado um resultado final geral, que vai guiar cada escolha de material, espaço e os efeito que se quer dar como produto final. Isso direciona a escolha dos tipos de materiais, como também as soluções de desenho. Até um despretencioso friso na porta não é apenas risquinho uma vez q tem uma razão, e deve seguir uma proporção em espessura, uma determinada quantidade de repetições, uma direção e um desenho para passar o conceito, o efeito, e o estilo escolhido. Isso cabe quando se opta por um rodapé de determinado desenho e altura, para os detalhes do gesso, para o tom e desenho das cerâmicas, para o tipo de cortina e de iluminação, etc. Cada coisa no seu lugar, somadas, trarão o resultado imaginado no início. É ai que muitas vezes um elemento mais expressivo com tom carregado é indicado para compensar ou equilibrar o restante do ambiente com tons mais neutros, ou utilizado com a intenção de causar uma surpressa decorativa e justificada.

Importante também é destacar que qualquer alteração no curso, como uma nova disposição do ambiente, um novo revestimento, uma nova cor, ou mesmo uma nova ideia de ocupação para um espaço, requer do arquiteto a observação do seu reflexo nos demais itens que já fazem ou farão na composição do todo e, por isso, requer uma re-análise e esforço extra para as novas adequações.
Por isso, o ideal sempre é que o projeto que foi imaginado no todo pelo arquiteto possa ser por ele no todo executado. E, embora se saiba que por vezes o arquiteto é contratado para trabalhos pontuais e parciais, o que é natural, não se imagina que isto pode comprometer o resultado final.

Por fim, quanto ao projeto, alguns elementos oneram mais tempo e esforço de pesquisa do arquiteto, e outros menos, mas todos contribuem com a mesma importância para que o resultado final tenha sucesso, e tendo pensado e executado o projeto como um todo, os honorários finais são a média de todo o trabalho, onde uns serviços se equilibram com os demais, custando o justo pelo trabalho executado.

Torna-se necessário os esclarecimentos acima, uma vez que é comum aparecerem dúvidas quanto aos custos do arquiteto X seus esforços, lembrando que o maior esforço do arquiteto está em encontrar a solução ideal, que surpreenda e que traga um resultado que encante o cliente, e este trabalho não é palpável. Ele está na pesquisa e experiências e não na produção de material físico.


É este o serviço virtual do arquiteto que é de dificil mensuração pelo cliente mas que exige o maior esforço do mesmo.